Notícias
12 de março de 2026
SOGIMIG participa de campanha pelo fim da violência contra a mulher

A SOGIMIG participou do lançamento da segunda fase da campanha #EuVejoVocê – Pelo fim da violência contra a mulher em todas as fases da vida, promovida pela FEBRASGO (Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia), segunda-feira, 9 de março. No evento, o presidente da Associação de Ginecologistas e Obstetras de Minas Gerais, Eduardo Cândido, integrou a programação com o painel “Câncer de colo de útero: violência estrutural contra a mulher brasileira”, ampliando a discussão sobre como desigualdades sociais, dificuldades de acesso e barreiras no cuidado também configuram formas de violência contra a saúde da mulher. 

A campanha da FEBRASGO parte do entendimento de que a violência contra a mulher atravessa todas as fases da vida e, muitas vezes, chega de forma silenciosa aos consultórios. Ao mesmo tempo, reforça o papel do ginecologista e obstetra como ponto de escuta, acolhimento e identificação de situações de vulnerabilidade, além de estimular a construção de uma rede de cuidado mais preparada para agir. 

No painel, Eduardo Cândido chamou atenção para o fato de que o câncer do colo do útero não pode ser analisado apenas sob a ótica biológica. Segundo dados apresentados pelo médico, a mortalidade pela doença acompanha desigualdades regionais, econômicas e assistenciais. Entre os fatores associados a maior risco, aparecem pobreza, analfabetismo e maior proporção de população não branca. Outro ponto destacado foi o atraso no cuidado: mais de 60% dos casos são diagnosticados em fases avançadas, e o prazo legal de 60 dias para início do tratamento oncológico ainda é descumprido em muitos contextos, o que transforma doenças potencialmente tratáveis em mortes evitáveis. 

“A apresentação também destacou um determinante muitas vezes invisível: a violência de gênero como barreira à prevenção. Mulheres em situação de violência por parceiro íntimo tendem a ter menor adesão ao rastreio cervical, menos autonomia para buscar atendimento e mais obstáculos para decidir sobre a própria saúde. Na prática, isso ajuda a explicar por que o câncer do colo do útero continua sendo um marcador tão duro das desigualdades que atingem as mulheres brasileiras”, explicou o presidente da SOGIMIG. 

O debate ganha ainda mais relevância diante dos dados da pesquisa inédita apresentada pela FEBRASGO no evento. O levantamento mostrou que 57,24% dos ginecologistas e obstetras atendem casos de violência ao menos ocasionalmente, 82,99% identificam com maior frequência a violência psicológica, e 23% relatam sentir-se pouco ou nada preparados para lidar com essas situações. Além disso, 43% conhecem pouco ou não conhecem os fluxos de notificação e encaminhamento, enquanto a fragilidade da rede de apoio aparece como o principal obstáculo estrutural. 

“Falar sobre câncer do colo do útero como violência estrutural é reconhecer que muitas mulheres ainda adoecem e morrem não apenas pela doença, mas pela ausência de acesso, de prevenção, de diagnóstico oportuno e de cuidado contínuo. A campanha da FEBRASGO amplia o olhar da especialidade e nos lembra que enxergar a violência também é identificar as falhas do sistema que comprometem a saúde feminina. Como ginecologistas e obstetras, temos a responsabilidade de acolher, orientar e agir”, afirmou o médico.

A participação da SOGIMIG no evento reforça o compromisso da entidade com os debates que impactam a prática clínica e a vida das mulheres. Ao integrar essa agenda nacional, a Associação também fortalece o papel do ginecologista e obstetra no enfrentamento da violência em suas diferentes formas, inclusive aquelas que se expressam na desigualdade de acesso à prevenção e ao tratamento.

Compartilhar:
Você pode também interessar por essas matérias:
Notícias
6 de abril de 2026
ISTs silenciosas reforçam importância da testagem regular
Ler Mais
Conteúdo para Pacientes
28 de outubro de 2022
Pílula anticoncepcional engorda? É mito ou verdade?
Ler Mais
Notícias
24 de outubro de 2024
Curso de Climatério
Ler Mais