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23 de abril de 2026
Reposição hormonal: o que é verdade e o que é mito sobre o tratamento na menopausa

Terapia pode melhorar qualidade de vida, mas ainda gera dúvidas sobre riscos, indicações e efeitos colaterais.

A reposição hormonal ainda é cercada por dúvidas e receios entre muitas mulheres, especialmente durante o climatério, fase de transição para a menopausa. Indicada para aliviar sintomas causados pela queda dos hormônios, a terapia pode trazer benefícios importantes quando bem orientada, mas a desinformação ainda é um dos principais obstáculos para o acesso ao tratamento.

Segundo a médica ginecologista e membro da diretoria da Associação de Ginecologistas e Obstetras de Minas Gerais (SOGIMIG), Luciana Calazans, a reposição hormonal consiste na administração de estrogênio, isolado ou combinado à progesterona, com o objetivo de compensar a redução fisiológica desses hormônios.

“A principal indicação é no climatério, especialmente na perimenopausa e nos primeiros anos após a menopausa, quando os sintomas costumam impactar mais a qualidade de vida”, explica.

Entre os sintomas mais comuns estão os fogachos (ondas de calor) e a sudorese noturna. No entanto, as queixas vão além. Alterações do sono, irritabilidade, dificuldade de concentração e sintomas geniturinários, como ressecamento vaginal e dor na relação, também estão entre os fatores que levam as mulheres a buscar o tratamento.

Apesar dos benefícios, a terapia hormonal ainda é alvo de mitos, associados a interpretações antigas de estudos científicos. “Houve uma generalização dos riscos no passado, sem considerar o perfil das pacientes. Hoje sabemos que, quando bem indicada, a terapia tem um perfil de segurança muito mais favorável”, afirma a especialista.

Um dos principais questionamentos está relacionado ao risco de câncer. De acordo com a médica, a resposta depende do tipo de terapia e das características da paciente. O uso combinado de estrogênio e progesterona pode estar associado a um discreto aumento do risco de câncer de mama em uso prolongado. Já o estrogênio isolado, indicado para mulheres que retiraram o útero, não demonstrou aumento desse risco.

A indicação da reposição hormonal não é universal. Nem todas as mulheres precisam do tratamento. “A decisão deve considerar a presença de sintomas, o impacto na qualidade de vida e o perfil de risco individual”, explica.

Além do controle dos fogachos, a terapia pode contribuir para melhora do sono e dos sintomas geniturinários. Em alguns casos, também pode impactar positivamente o humor e a vida sexual, especialmente quando reduz o desconforto durante a relação.

Outro ponto importante é o momento de início do tratamento. Existe o conceito de “janela de oportunidade”, em que a reposição hormonal apresenta melhor relação entre riscos e benefícios. “O ideal é iniciar antes dos 60 anos ou até 10 anos após a menopausa”, destaca.

A crença de que terapias hormonais “naturais” ou manipuladas são mais seguras também não se sustenta. Segundo a especialista, não há evidência de superioridade dessas formulações em relação às terapias convencionais, além de possíveis variações de dose e menor controle de qualidade.

O uso de hormônios sem acompanhamento médico também representa risco. A automedicação pode levar a complicações como sangramentos anormais, alterações no endométrio e eventos tromboembólicos.

Para mulheres que apresentam sintomas, mas ainda têm receio do tratamento, a orientação é buscar avaliação especializada. “A decisão deve ser baseada em informação de qualidade, análise individualizada e diálogo entre médica e paciente. Quando bem indicada, a terapia hormonal pode ser uma ferramenta segura e eficaz para melhorar a qualidade de vida”, conclui.

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