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15 de julho de 2025
Entenda as causas, riscos e importância do tratamento da infecção urinária

A infecção urinária tem como característica a presença de micro-organismos patogênicos em qualquer segmento do sistema urinário — rins, ureteres, bexiga ou uretra — desencadeando uma resposta inflamatória local. Embora frequentemente considerada uma condição simples, a infecção urinária pode resultar em desconforto significativo e, quando não tratada de forma apropriada, evoluir para complicações graves.

Classificação das Infecções Urinárias

As infecção urinária são classificadas de acordo com sua localização e complexidade clínica. Infecções que acometem a bexiga (cistite) ou a uretra (uretrite) são denominadas infecções do trato urinário inferior e, em geral, apresentam sintomas mais leves. Já as infecções do trato urinário superior, como a pielonefrite, envolvem os rins e costumam ter um quadro clínico mais severo, com febre elevada e comprometimento do estado geral.

Há, ainda, distinção entre infecções complicadas e não complicadas. As infecções complicadas ocorrem em pacientes com alterações anatômicas ou funcionais do trato urinário, presença de dispositivos invasivos (como cateteres) ou comorbidades como diabetes mellitus. As infecções não complicadas ocorrem em indivíduos previamente saudáveis e com boa resposta ao tratamento.

Etiologia

Na maioria dos casos, o agente etiológico é a Escherichia coli, bactéria comensal do intestino, que pode migrar e colonizar o trato urinário. Outras bactérias envolvidas incluem Klebsiella pneumoniae, Proteus mirabilis, Enterococcus spp. e Pseudomonas aeruginosa.

Fatores de Risco

Diversos fatores predispõem à infecção urinária, com destaque para o sexo feminino, devido à menor extensão da uretra. A atividade sexual, uso de espermicidas, alterações hormonais da menopausa, obstruções urinárias (como os cálculos renais), uso de sondas vesicais, diabetes, imunossupressão e anomalias estruturais também estão associados ao aumento da incidência de infecção urinária.

Manifestações Clínicas

As infecções do trato urinário inferior geralmente se manifestam por disúria, polaciúria( urina pequena quantidade várias vezes seguidas), urgência miccional, hematúria (sangue na urina, além de urina turva e com odor desagradável. Nos quadros de pielonefrite, observam-se febre, calafrios, dor em flancos, náuseas, vômitos e astenia.

Diagnóstico

O diagnóstico é baseado na anamnese, exame físico e exames laboratoriais. A urina tipo I pode revelar leucocitúria, hematúria e bacteriúria. A urocultura é fundamental para a identificação do agente infeccioso e definição do perfil de sensibilidade antimicrobiana. Exames de imagem, como ultrassonografia, podem ser necessários em casos complicados, para investigação de obstruções ou abscessos.

Tratamento

O tratamento varia conforme o tipo de infecção e as características do paciente. Infecções não complicadas geralmente respondem bem a antibióticos orais de curto prazo. Casos complicados ou pielonefrite exigem terapias prolongadas e, em alguns casos, hospitalização.

Dentre os antibióticos frequentemente utilizados estão a nitrofurantoína, fosfomicina, sulfametoxazol-trimetoprima e fluoroquinolonas. A escolha deve considerar os padrões locais de resistência bacteriana, um desafio crescente diante do uso inadequado de antimicrobianos.

Prevenção

A adoção de medidas preventivas é essencial. Recomenda-se manter hidratação adequada, urinar após relações sexuais, realizar higiene íntima correta (limpeza anogenital no sentido ântero-posterior), evitar o uso de espermicidas e considerar profilaxia antibiótica em casos selecionados. O não tratamento da infecção urinária pode culminar em pielonefrite, formação de abscessos renais, sepse, insuficiência renal e lesões irreversíveis ao sistema urinário.

Embora comum, a infecção urinária demanda atenção médica rigorosa. O diagnóstico precoce, a terapia antimicrobiana adequada e a prevenção são fundamentais para preservar a integridade do trato urinário e a saúde geral do paciente.

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