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Espaço Feminino
30 de junho de 2026
Disfunção sexual feminina: como ela ocorre e por que?

A disfunção sexual feminina é uma condição frequentemente subdiagnosticada, embora afete uma parcela significativa das mulheres em algum momento de suas vidas. Trata-se de um conjunto de alterações persistentes da resposta sexual, que geram sofrimento pessoal e interferem na qualidade de vida. 

Entender como a disfunção sexual feminina ocorre e por que ela se manifesta é essencial para um diagnóstico preciso e um tratamento eficaz. O reconhecimento da sexualidade como uma dimensão importante da saúde da mulher vem crescendo, mas ainda existem muitos tabus e barreiras na abordagem desse tema, tanto por parte das pacientes quanto dos profissionais de saúde. Saiba mais na leitura a seguir.

O que é a disfunção sexual feminina?

A disfunção sexual feminina é definida como a dificuldade persistente ou recorrente em qualquer uma das fases da resposta sexual, causando sofrimento significativo. Essas fases incluem desejo, excitação, orgasmo e resolução. 

Para que se considere uma disfunção sexual, a alteração deve estar presente por no mínimo seis meses, ocorrer em 75% das relações sexuais e provocar sofrimento subjetivo. As disfunções sexuais femininas podem ser classificadas em:

  • Transtorno do desejo sexual hipoativo

  • Transtorno da excitação sexual feminina

  • Transtorno do orgasmo feminino

  • Transtorno da dor genital ou pélvica/penetração (como vaginismo e dispareunia)

É fundamental entender que essas disfunções muitas vezes se sobrepõem. Uma mulher com desejo sexual hipoativo pode também ter dificuldade de excitação ou orgasmo. Além disso, a dor durante a relação pode interferir diretamente nas demais fases da resposta sexual.

Fisiologia da resposta sexual feminina

A resposta sexual feminina envolve um processo complexo e multifatorial, influenciado por componentes hormonais, neurológicos, vasculares e psicológicos. A atividade sexual é modulada por neurotransmissores como a dopamina (que promove o desejo) e a serotonina (que pode inibir o orgasmo). Os hormônios estrogênio e testosterona também têm papel fundamental na manutenção do desejo e da lubrificação vaginal.

A excitação sexual se traduz fisiologicamente pelo aumento do fluxo sanguíneo na região genital, vasodilatação e lubrificação vaginal. O orgasmo é caracterizado por contrações rítmicas da musculatura genital e pélvica, além de uma liberação de tensão sexual acumulada.

A fase de resolução marca o retorno do organismo ao estado basal, podendo ser acompanhada de sensação de bem-estar. A ausência ou prejuízo em qualquer uma dessas fases pode indicar disfunção sexual feminina.

Etiologia

As causas da disfunção sexual feminina são múltiplas e frequentemente inter-relacionadas. Podem ser divididas em:

1. Causas fisiológicas:

  • Distúrbios hormonais: A diminuição de estrogênio (menopausa) reduz a lubrificação vaginal e pode causar dor e diminuição do desejo.

  • Doenças crônicas: Diabetes, hipertensão, doenças cardiovasculares e obesidade afetam a circulação e o metabolismo, influenciando negativamente a resposta sexual.

  • Distúrbios neurológicos: Lesões medulares, esclerose múltipla e neuropatias periféricas comprometem os estímulos nervosos necessários à excitação e ao orgasmo.

  • Uso de medicamentos: Antidepressivos, anti-hipertensivos, anticoncepcionais hormonais, entre outros, podem impactar negativamente o desejo e a excitação sexual.

  • Doenças ginecológicas: Endometriose, infecções, atrofia vaginal e cirurgias pélvicas podem causar dor e prejudicar a função sexual.

2. Causas psicossociais:

  • Fatores emocionais: Depressão, ansiedade, baixa autoestima e histórico de abuso sexual estão fortemente relacionados à disfunção.

  • Problemas no relacionamento: Conflitos conjugais, falta de intimidade, comunicação inadequada e desinteresse pelo parceiro podem afetar diretamente a sexualidade feminina.

  • Crenças e tabus culturais: Muitas mulheres carregam sentimentos de culpa ou vergonha em relação à sexualidade, o que interfere no prazer e no desejo.

Diagnóstico

O diagnóstico da disfunção sexual feminina deve ser baseado em uma abordagem clínica ampla, que considere os aspectos físicos, psicológicos e relacionais. A anamnese detalhada é o principal instrumento diagnóstico, incluindo perguntas sobre o histórico sexual, qualidade da relação, presença de dor, dificuldades com excitação ou orgasmo, e fatores emocionais.

Instrumentos validados, como questionários específicos (por exemplo, o FSFI – Female Sexual Function Index), podem ajudar na avaliação da função sexual e na identificação do tipo de disfunção.

O exame físico e ginecológico é importante para descartar causas orgânicas. Em alguns casos, pode ser necessária investigação laboratorial hormonal, principalmente em situações como menopausa precoce ou alterações menstruais. O diagnóstico correto da disfunção é essencial para orientar o tratamento e melhorar a qualidade de vida sexual e emocional da mulher.

Tratamento

O tratamento da disfunção sexual feminina depende da causa e do tipo de disfunção identificada. O manejo ideal é multidisciplinar, envolvendo ginecologista, psicólogo/terapeuta sexual, e em alguns casos, endocrinologista ou psiquiatra. As estratégias terapêuticas incluem:

1. Intervenções médicas:

  • Terapia hormonal: O uso de estrogênios locais ou sistêmicos pode aliviar sintomas da menopausa, como secura vaginal e dor na relação.

  • Testosterona: Pode ser considerada em casos selecionados de desejo sexual hipoativo, com avaliação rigorosa dos riscos e benefícios.

  • Tratamento de comorbidades: Controle de diabetes, hipertensão, depressão, entre outras doenças, pode melhorar a função sexual.

  • Lubrificantes e hidratantes vaginais: Úteis em casos de ressecamento vaginal.

2. Intervenções psicoterapêuticas:

  • Terapia cognitivo-comportamental: Ajuda na reestruturação de pensamentos negativos em relação ao sexo.

  • Psicoterapia individual ou de casal: Trabalha conflitos emocionais e melhora a comunicação entre parceiros.

  • Educação sexual: Esclarece mitos e ajuda a mulher a compreender melhor seu corpo e sua sexualidade.

3. Terapias alternativas:

  • Técnicas de relaxamento, meditação e exercícios de fortalecimento do assoalho pélvico (como os exercícios de Kegel) também podem ser incorporados ao tratamento.

É essencial que o tratamento seja individualizado, respeitando as crenças, valores e limitações da paciente. O objetivo é promover o bem-estar sexual e relacional, e não apenas a eliminação de sintomas.

Considerações finais

A disfunção sexual feminina é uma condição comum, porém ainda cercada de tabus. Envolve múltiplos fatores — físicos, emocionais e relacionais — e seu diagnóstico requer sensibilidade e escuta ativa. 

Com o avanço no reconhecimento da importância da saúde sexual para o bem-estar feminino, é fundamental que os profissionais estejam preparados para acolher essas queixas e propor intervenções eficazes e personalizadas.

O tratamento da disfunção sexual feminina não deve se limitar a abordagens médicas, mas incluir também aspectos psicossociais e educacionais, com vistas à promoção de uma sexualidade saudável, prazerosa e livre de sofrimento.

Gostou deste post? Então, confira também dicas para uma boa saúde sexual na terceira idade!

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