Espaço Feminino
Saúde da mulher
8 de julho de 2025
Conheça mais sobre o HPV, incidência, formas de transmissão e diagnóstico

O HPV (Papilomavírus humano) é um vírus de DNA da família Papillomaviridae, com mais de 100 tipos identificados, sendo pelo menos 40 deles capazes de infectar a mucosa anogenital. A infecção por HPV é uma das doenças sexualmente transmissíveis (DSTs) mais comuns em todo o mundo, com elevada prevalência em homens e mulheres, especialmente nos primeiros anos após o início da vida sexual.

A maioria das infecções por HPV é transitória e assintomática, sendo eliminada espontaneamente pelo sistema imunológico. No entanto, em alguns casos, a infecção persiste, podendo provocar lesões benignas como verrugas genitais ou evoluir para lesões pré-malignas e malignas, como o câncer de colo do útero, vulva, vagina, ânus, pênis e orofaringe.

Incidência e fatores de risco

A infecção pelo HPV é altamente prevalente, principalmente entre adolescentes e adultos jovens. Estima-se que 50% a 80% das pessoas sexualmente ativas entrarão em contato com algum tipo de HPV ao longo da vida. 

A maior incidência ocorre entre os 15 e 25 anos, faixa etária que coincide com o início da atividade sexual e maior número de parceiros. A infecção pelo HPV está diretamente relacionada a comportamentos de risco, como:

  • Início precoce da vida sexual

  • Múltiplos parceiros sexuais

  • Relações sexuais sem preservativo

  • Tabagismo

  • Imunossupressão

  • Infecções sexualmente transmissíveis concomitantes

O uso de preservativos pode reduzir o risco de transmissão, mas não elimina completamente, pois o contato com a pele infectada em regiões não cobertas ainda pode permitir a infecção.

A maioria das infecções por HPV é assintomática e resolve-se espontaneamente em até dois anos. No entanto, em uma parcela dos casos, especialmente quando há fatores de risco associados, a infecção persiste e pode evoluir para lesões intraepiteliais de alto grau ou câncer.

Agente etiológico

O HPV é um vírus pequeno, de DNA dupla fita circular, que infecta células epiteliais da pele e mucosas. Pertence à família Papillomaviridae e apresenta tropismo específico por tecidos epiteliais, onde induz alterações na diferenciação celular. Existem mais de 100 tipos de HPV, classificados em dois grupos principais:

  • HPV de baixo risco oncogênico, como os tipos 6 e 11, que estão associados a lesões benignas como verrugas genitais (condilomas acuminados).

  • HPV de alto risco oncogênico, como os tipos 16 e 18, responsáveis por cerca de 70% dos casos de câncer de colo do útero, além de estarem relacionados a neoplasias de vagina, vulva, ânus, pênis e orofaringe.

A infecção por HPV ocorre nas camadas basais do epitélio por meio de microlesões que facilitam a entrada do vírus. O ciclo viral é mantido de forma episomal (fora do DNA celular), mas em casos de progressão para câncer, ocorre a integração do genoma viral ao DNA da célula hospedeira, o que contribui para a transformação maligna.

Formas de transmissão

A transmissão do HPV se dá, principalmente, por via sexual, através do contato direto com pele ou mucosa infectada. Isso inclui sexo vaginal, anal ou oral, mesmo sem penetração ou ejaculação.

O HPV pode ser transmitido também por contato íntimo pele com pele durante práticas sexuais. É por isso que o uso de preservativos, embora reduza o risco, não oferece proteção completa contra a infecção. Outras formas possíveis de transmissão incluem:

  • Transmissão vertical: da mãe para o bebê durante o parto vaginal, podendo causar papilomatose respiratória recorrente no recém-nascido.

  • Autoinoculação: do próprio indivíduo, ao tocar uma lesão e transferir o vírus para outras regiões do corpo.

  • Fômites contaminados: ainda que muito raramente e de forma excepcional, é possível a transmissão por objetos contaminados, como toalhas, roupas íntimas ou instrumentos cirúrgicos mal esterilizados.

A presença de lesões clínicas aumenta o risco de transmissão, mas mesmo indivíduos assintomáticos podem ser fontes de infecção.

Diagnóstico

O diagnóstico da infecção por HPV pode ser clínico, citológico, histológico ou molecular, dependendo da apresentação e do objetivo da avaliação.

Diagnóstico clínico

O diagnóstico clínico baseia-se na observação das lesões características:

  • Verrugas genitais (condilomas acuminados): lesões exofíticas, úmidas, de coloração rósea ou acinzentada, que acometem vulva, períneo, região perianal, vagina e colo do útero.

  • Lesões subclínicas: muitas vezes invisíveis a olho nu, podem ser detectadas por colposcopia ou uso de ácido acético.

Diagnóstico citológico

A principal ferramenta para triagem do câncer do colo do útero é o exame citopatológico do colo uterino (Papanicolau). Ele permite identificar alterações celulares sugestivas de infecção por HPV, como:

  • Coilócitos

  • Alterações nucleares

  • Lesões intraepiteliais de baixo ou alto grau

Este exame deve ser realizado periodicamente em mulheres sexualmente ativas, conforme as diretrizes de rastreamento.

Diagnóstico histológico

A biópsia é indicada em casos de lesões visíveis suspeitas ou citologia alterada. O exame histopatológico permite confirmar a presença de lesão intraepitelial ou carcinoma invasivo.

Diagnóstico molecular

Os testes de biologia molecular (como PCR) identificam o DNA do HPV e permitem a genotipagem. São indicados principalmente para:

  • Avaliar risco de progressão em lesões intraepiteliais

  • Realizar rastreamento em populações de maior risco

  • Monitorar resposta ao tratamento

Atualmente, testes de HPV de alto risco são recomendados como alternativa ao Papanicolau para rastreamento primário em algumas populações, conforme protocolos de saúde pública.

A vacinação contra o HPV representa um grande avanço na saúde pública. As vacinas disponíveis protegem contra os principais tipos virais responsáveis por cânceres e verrugas genitais, sendo indicadas preferencialmente antes do início da vida sexual. A ampliação da cobertura vacinal e o rastreamento regular com exames como o Papanicolau são fundamentais para a redução da morbimortalidade associada ao HPV.

O diagnóstico precoce e o acompanhamento adequado das lesões são essenciais para prevenir a progressão para câncer. É papel dos profissionais de saúde orientar a população, combater o estigma e ampliar o acesso à informação de qualidade sobre o HPV.

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