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20 de setembro de 2026
CMGO 2026: segundo dia destaca emergências obstétricas, medicina de precisão e endometriose

Programação também incluiu curso hands-on e entrega do Prêmio Guilherme Rezende

Temas como emergências obstétricas, medicina de precisão, saúde metabólica, endometriose e impactos das novas tecnologias na assistência médica guiaram as discussões do último dia do 18º Congresso Mineiro de Ginecologia e Obstetrícia (CMGO), nesse sábado (19/9).

A programação começou com a mesa-redonda “Emergências obstétricas: Protocolos que mudam desfechos”, que abordou situações como pré-eclâmpsia, sepse materna e hemorragia pós-parto. Um dos destaques foi a palestra da professora Regina Aguiar, que trouxe dez passos para a redução da mortalidade materna, ainda um desafio para o Brasil.

Professora Regina Aguiar apresentou dez passos para a redução da mortalidade materna

Professora Regina Aguiar apresentou dez passos para a redução da mortalidade materna

Segundo a professora, a redução desses índices exige prevenção, treinamento das equipes, diagnóstico no momento oportuno e tratamento adequado das emergências obstétricas. Ela também reforçou a necessidade de manter a saúde das mulheres no centro da agenda política e de discutir o tema de forma contínua entre profissionais e instituições.

“Este é um assunto que tem que ser repetido, dito, repetido, treinado nas escolas, todo dia no plantão, todo dia com os residentes, os deputados, senadores e nas políticas públicas”, enfatizou a professora, que é referência no tema.

Mesa-redonda “Emergências obstétricas: Protocolos que mudam desfechos”

Medicina de precisão

Na sequência, a mesa-redonda “Medicina de precisão em ginecologia e obstetrícia” abordou a importância da avaliação individualizada em situações como acretismo placentário, rastreamento e estratégias para redução de risco em tumores ginecológicos, o papel dos testes genéticos no aconselhamento reprodutivo e a utilização da genética fetal no rastreamento, diagnóstico e aconselhamento durante o pré-natal.

O debate foi conduzido pela médica e diretora da SOGIMIG, Dra. Luciana Calazans, que frisou: “medicina de precisão não é pedir mais exame, não é aplicar mais tecnologia para todos. É entender o que que cada paciente precisa dentro do contexto dentro do risco dela”.

Mesa-redonda “Medicina de precisão em ginecologia e obstetrícia”

Hiperglicemia, reprodução e hormonização

Na conferência “Hiperglicemia na gestação”, foi reforçada a relevância do acompanhamento individualizado das gestantes e o uso de estratégias de monitorização para apoiar as decisões clínicas.

Durante o intervalo do almoço, a programação contou com dois simpósios. O Simpósio Huntington Pró-Criar discutiu o futuro da medicina reprodutiva. Já o “Simpósio REDIMAMA/REDIMASTO trouxe uma análise da terapia hormonal em pacientes de alto risco de câncer de mama, utilizando casos clínicos como base para a discussão.

Já a conferência “Hormonização sem Fronteiras: O impacto da testosterona suprafisiológica na saúde feminina a longo prazo” ampliou o debate sobre os efeitos da utilização de hormônios na saúde da mulher. Segundo o médico Marcelo Luís Steiner, de São Paulo (SP), o uso de testosterona em mulheres é um tema controverso e ainda cercado de incertezas, especialmente em relação às doses, indicações e aos riscos do tratamento em doses elevadas.

Conferência “Hormonização sem Fronteiras: O impacto da testosterona suprafisiológica na saúde feminina a longo prazo”

“O médico deve conversar sobre esses riscos com a paciente e fornecer todas as informações necessárias para que ela possa tomar uma decisão consciente e compartilhada. Se, mesmo assim, ela optar pelo tratamento, precisa entender que, no médio e no longo prazo, pode haver consequências cardiovasculares, como infarto e acidente vascular cerebral, além de alterações metabólicas, como síndrome metabólica e diabetes”, reforçou Dr. Marcelo, que também é presidente da ABRASSO e diretor financeiro da FEBRASGO.

Obstetrícia na prática

A programação da tarde segue com a mesa-redonda “Obstetrícia na prática: decisão clínica e condutas baseadas em evidências”, envolvendo prevenção da prematuridade, manejo do diabetes na gestação e os desafios de equilibrar segurança, evidência científica e realidade assistencial na realização de cesarianas.

Outro tema de destaque foi o diagnóstico ultrassonográfico do crescimento fetal, com a Dra. Angélica Lemos Debs Diniz, integrante do Conselho Consultivo da SOGIMIG. A mensagem-chave foi que a atualização e o uso de preceitos baseados em ciência são fundamentais para uma prática de pré-natal mais eficiente.

Dra. Angélica Diniz falou sobre diagnóstico ultrassonográfico do crescimento fetal

“Para quem realiza ultrassonografia, o ideal seria adotarmos a mesma equação para o cálculo do peso fetal, bem como a mesma tabela de referência de normalidade no Brasil. Isso permitiria que uma mesma paciente fosse avaliada por diferentes profissionais e em diferentes locais, possibilitando o acompanhamento adequado do ritmo de crescimento do bebê, sem os vieses decorrentes do uso de tabelas diferentes”, destacou.

Para além da padronização, ela defende o treinamento das equipes de ultrassonografia e atualização científica para reduzir as divergências e contribuir para a redução das taxas de mortalidade e morbidade neonatal.

Endometriose e dor pélvica

Outro destaque foi a mesa-redonda “Dor pélvica e endometriose: cuidado centrado na paciente”. A programação reuniu diferentes perspectivas sobre a doença, passando pelo diagnóstico e pelos sinais de alerta, pela condução da dor persistente, pela abordagem de condições como dispareunia e vulvodínia e pelas indicações e planejamento da cirurgia para endometriose.

Mesa-redonda “Dor pélvica e endometriose: cuidado centrado na paciente”

A conferência “O Ginecologista como Influenciador Digital: Ética, Responsabilidade e Limites” levou para o congresso o debate sobre a atuação dos profissionais de saúde no ambiente digital, com foco nos limites e na responsabilidade relacionados à produção e disseminação de conteúdo médico.

Sessão Sunset

A última palestra, “Desejo, intimidade e conexão: o que realmente importa na vida sexual”, foi conduzida pelo Dr. Gerson Pereira Lopes, médico sexologista. Segundo ele, este é um problema com o qual o ginecologista se depara com frequência no consultório: a falta de desejo sexual da mulher.

“Mas essa falta de desejo não vem sozinha. Existe um fator relacional e todo um contexto de vida que precisa ser considerado. Não é apenas a biologia que, muitas vezes, o ginecologista aborda. É preciso olhar também para o relacionamento, para a psicologia e para o aspecto emocional da paciente. A ideia é fazer o ginecologista entender que, no caso da mulher, o desejo tem muita relação com intimidade e conexão”, explicou.

A palestra “Desejo, intimidade e conexão: o que realmente importa na vida sexual”, foi conduzida pelo Dr. Gerson Pereira Lopes

Prêmio Guilherme Rezende – Melhores Temas Livres

Este prêmio, dedicado à apresentação de temas livres, tem o objetivo de incentivar residentes, acadêmicos e professores a produzirem pesquisas científicas em Minas Gerais, além de reconhecer a excelência dos trabalhos.

Categoria: Obstetrícia

1º lugar – Qual a melhor técnica para o reparo perineal após o parto? Sutura contínua versus interrompida: meta-análise de 17 ensaios randomizados

Autores: Maria Luiza Rodrigues Defante, Gabriella das Graças de Oliveira; Juliana Vieira Queiroz Almeida e Flávia Ribeiro Oliveira.

2º lugar – Da hipoglicemia ao dano cerebral permanente: relato de caso de encefalopatia hipoglicêmica irreversível em gestante

Autores: Laura Maria Dias Benfica, Letícia Salles Fialho Menta, Luana Magalhães Braga Dias, Iara Moreira Caldas e Ana Luiza Prado Amorim.

“Este trabalho surgiu a partir de um caso que me impactou muito. Era uma paciente com diabetes tipo 1 e outras comorbidades, mas que apresentou um desfecho fetal completamente diferente do que esperávamos. Embora o bebê não tenha tido tantas repercussões, a mãe apresentou complicações severas. Espero que esse trabalho nos ajude a ter uma percepção maior sobre os riscos associados ao diabetes tipo 1 e a identificar situações que possam evitar que outras pacientes cheguem a um quadro tão grave.” – Laura Maria Dias Benfica

2º lugar – Da hipoglicemia ao dano cerebral permanente: relato de caso de encefalopatia hipoglicêmica irreversível em gestante

3º lugar – Reavaliação do risco de pré-eclâmpsia com biomarcadores angiogênicos entre 24-28 semanas: pode-se suspender a aspirina com segurança?

Autores: Maria Inez Bassi Rocha do Carmo, Ricardo Cabral Santiago e Jéssica de Souza Paschoalino.

3º lugar – Reavaliação do risco de pré-eclâmpsia com biomarcadores angiogênicos entre 24-28 semanas: pode-se suspender a aspirina com segurança?

Categoria: Ginecologia

1º lugar – Desafios no manejo oncológico e reprodutivo de paciente portadora de tumor no seio endodérmico: um relato de caso

Autores: Ana Luísa Barbosa Silva, Mel Nicole Gama, Sarah Kelly Fernandes, Gabriel Augusto Almeida dos Santos, Stephanie Braga Gonçalves da Silva, Letícia da Conceição Braga e Paulo Guilherme Oliveira Salles

2º lugar – Conhecimento preservado, treinamento negligenciado: inconsistências na formação de residentes para inserção do implante de etonogestrel

Autores: Camila Karam, Matia Tereza Chaves de Almeida, Marcela de Matos Assunção, Camila Gabriele Silva Gama, Aline Torres Alves e Agnaldo Lopes da Silva Filho.

“Sou apaixonada por pesquisa científica. Esta é a minha segunda premiação no Congresso Mineiro, e foi muito importante receber esse reconhecimento por um trabalho que desenvolvemos com os residentes do nosso serviço. Acredito que pesquisar também significa identificar falhas na assistência e promover mudanças.” – Aline Torres Alves

2º lugar – Conhecimento preservado, treinamento negligenciado: inconsistências na formação de residentes para inserção do implante de etonogestrel

“Eu me mudei para Mato Grosso, mas toda a minha formação foi em Belo Horizonte. Então, voltar para Minas Gerais e reencontrar pessoas que foram tão importantes na minha formação tornou esse momento ainda mais significativo. Receber esse prêmio foi muito especial, além de ser um incentivo para continuar me atualizando, buscando boas evidências científicas e levando esse conhecimento para as minhas pacientes.” – Camila Karam

3º lugar – Gossypiboma simulando neoplasia cervical em mulher pós-menopausa: relato de caso

Autores: Juliana Augusta Dias, Cristiane de Pinho Carvalho, Laiane Sousa dos Anjos, Carolina Braide Costa, Vitor Manuel Simões de Oliveira, Marina Silveira Lima e Geraldo Magella Flores da Mota.

3º lugar – Gossypiboma simulando neoplasia cervical em mulher pós-menopausa: relato de caso

Treinamento

Na Sala Master, foram realizadas duas turmas do curso hands-on de inserção de Implanon, um contraceptivo estudado no mundo todo, com publicações de credibilidade que demonstram sua alta eficácia e segurança, sem aumento significativo do risco de trombose e com indicação para diferentes faixas etárias. Agora, o método está mais disponível e acessível, inclusive pelos convênios, e também passou a estar disponível no SUS.

Curso hands-on de inserção de Implanon

“Quando a gente facilita o acesso, elimina barreiras e democratiza o método, a escolha pode favorecer um contraceptivo de altíssima eficácia, como é o caso do Implanon. Por isso, precisamos capacitar os médicos que têm interesse em realizar a inserção, porque o método estará cada vez mais disponível nas cidades, nas UBS, na atenção primária e nas grandes instituições de ensino. Esses cursos vão oferecer conhecimento e, principalmente, segurança e autoconfiança para que os profissionais realizem o procedimento de forma adequada e com o mínimo de complicações”, explicou a Dra. Gisele Vissoci Marquini, diretora da SOGIMIG, instrutora do curso junto com a Dra. Laissa Nascimento Bernardes Souza, diretora da Regional Central da SOGIMIG.

Curso hands-on de inserção de Implanon

A Dra. Ezilma Ribeiro Xavier, médica ginecologista e obstetra que atende em Belo Horizonte, viu no curso uma oportunidade de atualização. “Eu não estava implantando o Implanon, mas como a demanda está muito grande, resolvi treinar”, contou a médica.

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