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19 de setembro de 2026
CMGO 2026 abre programação com palestras sobre tecnologia, climatério e obesidade

Primeiro dia também discutiu reprodução, segurança clínica e tomada de decisão compartilhada

O primeiro dia do Congresso Mineiro de Ginecologia e Obstetrícia (CMGO), nesta sexta-feira (18/9), foi marcado por uma programação científica diversificada, com a participação de especialistas em palestras que envolveu temas como decisão compartilhada entre médico e paciente, transformações provocadas pela tecnologia, assistência das mulheres no climatério e impactos da obesidade na vida. O evento está sendo realizado em Ouro Preto e ocorre em paralelo ao Encontro Mineiro de Ginecologia e Obstetrícia (EMGO).

Centenas de pessoas participaram do primeiro dia

“O 18º Congresso Mineiro de Ginecologia e Obstetrícia tem como inovação a realização no Vila Galé, em Ouro Preto. O evento resgata muitas memórias afetivas e, ao mesmo tempo, cria novas experiências para os associados mais jovens. É uma oportunidade de nos deslocarmos para as regionais e promovermos um evento de excelência, com uma programação científica extremamente robusta e repleta de temas relevantes para a ginecologia e a obstetrícia. Tudo isso reforça o caráter da nossa gestão, pautada pela inovação, pela renovação e pela inclusão”, disse o médico Eduardo Batista Cândido, presidente da Sogimig.

Presidente da SOGIMIG, Dr. Eduardo Cândido, na abertura do evento

Conversas que importam

A programação teve início com a mesa-redonda “Conversas que importam: inclusão, risco e decisão compartilhada”. Entre os assuntos abordados, estiveram a utilização da microscopia na avaliação da vulvovaginite e da disbiose, novas estratégias no tratamento da aloimunização e o aconselhamento de casais diante do desejo sexual hipoativo.

Integrantes da mesa-redonda “Conversas que importam: inclusão, risco e decisão compartilhada”

Outro tema abordado foi a importância da decisão compartilhada entre obstetras e pacientes. A médica obstetra Inessa Beraldo orientou como agir diante de situações em que as escolhas da paciente podem divergir da recomendação médica, como na recusa de uma cesariana ou de uma transfusão de sangue. Segundo ela, esta é uma situação que requer a busca de uma interseção entre segurança clínica, autonomia e comunicação, com decisões clinicamente responsáveis, eticamente defensáveis e compreendidas pela paciente.

A mensagem central foi a de que autonomia e segurança clínica não constituem escolhas opostas, mas elementos que devem ser integrados na construção conjunta de uma decisão. “Precisamos fornecer informação e encontrar o caminho do meio: tentar atender às expectativas da paciente, respeitar os seus valores e vontades, mas também trabalhar com o que temos de melhores evidências”, resumiu.

Inessa Beraldo falou sobre a importância da decisão compartilhada entre obstetras e pacientes

Avanço tecnológico

A relação entre tecnologia e prática médica também esteve entre os destaques do dia. Na conferência “Inovação e dependência tecnológica: estamos perdendo habilidades na medicina?”, o congresso promoveu uma reflexão sobre os impactos da crescente incorporação tecnológica na atuação dos profissionais de saúde.

O médico Agnaldo Lopes da Silva Filho, diretor científico da Febrasgo, destacou o avanço acelerado da inteligência artificial, da robótica e de outras tecnologias como uma das principais marcas do tempo atual, ressaltando o potencial dessas inovações para aprimorar tratamentos. Ao mesmo tempo, enfatizou que o crescente acesso a tecnologias e informações exige dos profissionais a capacidade de avaliar criticamente quais recursos são mais adequados para cada paciente.

Dr. Agnaldo Lopes da Silva Filho destacou a inovação na medicina

“A gente tem que enxergar isso como um avanço, uma forma de melhorar toda a assistência aos nossos pacientes. Mas nesse mundo, cada vez mais tecnológico, o que vai fazer diferença para nós é sermos humanos, acolher, entender, escutar, amparar as nossas pacientes. Isso vai fazer toda a diferença”, destacou.

Climatério e saúde da mulher

Na mesa-redonda “Climatério 2026: o que mudou, o que é mito e o que melhora a vida da paciente”, as palestras abordaram os sintomas vasomotores e diferentes abordagens terapêuticas, risco de fraturas após a menopausa, sintomas urinários e bexiga hiperativa, além da relação entre envelhecimento cerebral e saúde feminina.

Mesa-redonda mesa-redonda “Climatério 2026: o que mudou, o que é mito e o que melhora a vida da paciente”

A palestra “Sintomas vasomotores: abordagem passo a passo, com e sem terapia hormonal” foi conduzida pela Dra. Ana Lúcia Ribeiro Valadares, professora de pós-graduação em Tocoginecologia da Unicamp, membro dos comitês de Climatério da FEBRASGO, da SBRH e da SOGIMIG e do Comitê de Ética da SOBRAC. “O tratamento dos sintomas do climatério deve ser visualizado olhando a questão da faixa etária, as questões clínicas da mulher e as suas preferências. Então é a individualização”, afirmou.

Dra. Ana Lúcia Ribeiro Valadares

Obesidade e seus impactos

A programação também dedicou espaço à obesidade e suas repercussões sobre a saúde reprodutiva e ginecológica. Foram discutidos os riscos obstétricos e as complicações periparto associadas à obesidade, as particularidades da contracepção para mulheres com obesidade e os impactos da obesidade sobre o risco de câncer ginecológico. Um dos temas que também integrou essa mesa-redonda está em voga: o uso crescente dos análogos de GLP-1 e seus impactos no contexto reprodutivo.

Programação também dedicou espaço à obesidade e suas repercussões sobre a saúde reprodutiva e ginecológica

Em sua palestra, a médica Larissa Milani Coutinho, ginecologista obstetra, especialista em Reprodução Assistida pela FEBRASGO, explicou que a perda de peso promovida pelos análogos pode melhorar a resistência à insulina, regularizar os ciclos menstruais e favorecer a ovulação e, nos homens, também pode melhorar o eixo hormonal.

Larissa Milani Coutinho falou sobre o uso crescente dos análogos de GLP-1 e seus impactos no contexto reprodutivo

Existem ainda hipóteses de efeitos dos análogos sobre o sistema reprodutivo, mas essas evidências permanecem principalmente em nível experimental. Estudos recentes observaram melhora de peso, parâmetros metabólicos e regularidade dos ciclos, além de sinais de aumento de gravidez espontânea em alguns grupos. Entretanto, as pesquisas ainda são pequenas e apresentam limitações metodológicas, e metanálises mais recentes não confirmaram de forma consistente benefícios reprodutivos. “Os análogos de GLP-1 não devem ser prescritos unicamente com o objetivo de melhorar a fertilidade. Sua indicação deve permanecer metabólica”, frisou a médica.

e-Pôsteres

Apresentação de e-pôsteres

Paralelamente à programação do auditório, o congresso contou com a avaliação de e-Pôsteres, ampliando o espaço destinado à produção científica e à troca de experiências entre os participantes. A atividade foi realizada em diferentes blocos ao longo do dia, com a participação de avaliadores convidados.

Prêmios e medalhas

Prêmio Lucas Machado – Obstetrícia

O prêmio foi concedido ao trabalho “Maternal Mortality Inderreporting in Brazil Due to Coding Errors (2010 – 2021)”. A Dra. Regina Amélia Lopes Pessoa de Aguiar representou os autores do trabalho.

Dra. Regina Amélia Lopes Pessoa de Aguiar representou os autores do trabalho.

Prêmio Clóvis Salgado – Ginecologia

O prêmio foi concedido ao trabalho “Vacuum-assisted biopsy in the era of low-risk ductal carcinoma in situ active monitoring: real world data and implications”. O Dr. Henrique Lima Couto representou os 45 autores.

Dr. Henrique Lima Couto representou os 45 autores

Medalha Lucas Machado – Obstetrícia

A agraciada foi a professora Regina Aguiar, que dedicou três décadas à UFMG, unindo ensino, assistência e compromisso com a saúde materna, especialmente na gestação de alto risco e no enfrentamento à mortalidade materna. Em março de 2026, a Congregação da Faculdade de Medicina da UFMG aprovou a concessão de título de professora emérita em reconhecimento à sua contribuição para a universidade, para a formação médica e para a obstetrícia, tornando-se a segunda mulher a receber essa distinção.

“A situação da mortalidade materna no Brasil ainda é desafiadora. O país não alcançou as metas estabelecidas anteriormente e também não deverá atingir a meta prevista para 2030. A pandemia agravou esse cenário, provocando um retrocesso significativo nos indicadores de mortalidade materna. Embora os dados de 2025 indiquem uma retomada da redução desses índices, o Brasil ainda tem um longo caminho pela frente para superar esse atraso”, analisou a professora.

Professora Regina Aguiar é agraciada

Medalha Clóvis Salgado – Ginecologia

A medalha foi entregue à Dra. Cláudia Navarro, pioneira da reprodução humana em Minas Gerais e participou, desde 1988, da construção do Laboratório de Reprodução Humana do HC-UFMG, ao lado do professor Aroldo Camargos. Sua trajetória também alcançou a gestão e a representação profissional: foi a primeira mulher a presidir a SOGIMIG e a primeira a presidir o Conselho Regional de Medicina de Minas Gerais.

Dra. Cláudia Navarro é homenageada

“A evolução da reprodução humana foi muito rápida e não depende apenas da revolução tecnológica. Ela também acompanha as revoluções sociais. A ética permanece, mas a aceitação das novas tecnologias e das novas formas de família muda à medida que a sociedade se transforma. E a medicina reprodutiva acompanha essas mudanças”, destacou a Dra. Cláudia Navarro.

Entrega de medalhas

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