Com programação diversificada, o CMGO contou também com curso voltado ao dia a dia dos consultórios e discussões sobre ginecologia e obstetrícia
Na abertura do Prêmio Guilherme Resende de temas livres, Laura Maria Almeida Maia, membro da diretoria da SOGIMIG (biênio 2023 – 2025), destacou a relevância do prêmio criado em homenagem ao colega falecido em 2023. Segundo ela, o espaço dedicado à apresentação de temas livres é fundamental para incentivar residentes, acadêmicos e professores a produzirem ciência em Minas Gerais.
“É um estímulo constante para que tenhamos trabalhos cada vez mais bem estruturados, com maior número de inscrições e impacto real no desenvolvimento da obstetrícia e da ginecologia”.
Na categoria Obstetrícia, a vencedora foi Larissa Braga Costa, com o trabalho “Análise de dados e pontos de melhora – particularidades dos quadros de hemorragia puerperal em uma maternidade particular de Belo Horizonte”. A residente ressaltou a relevância da pesquisa, já que a hemorragia puerperal é uma das principais causas de mortalidade materna no Brasil e no mundo:
“O reconhecimento me deixa muito feliz. Nosso objetivo é intervir no manejo dessas pacientes desde a admissão, garantindo melhor desfecho para as mulheres atendidas”.
Na categoria Ginecologia, o primeiro lugar foi conquistado por Thamires Helena de Almeida, autora do projeto “Adoção de embriões como alternativa viável e pouco explorada na reprodução assistida diante do risco genético de doenças ligadas ao X”. Emocionada, ela disse que não esperava o prêmio em sua primeira participação no congresso:
“É um tema que abre caminhos para que muitas mulheres possam realizar o sonho da maternidade com segurança. Estou muito feliz por trazer essa discussão para um evento tão importante”.
Confira abaixo todos os vencedores:
Categoria: Obstetrícia
1º Lugar – Análise de Dados e Pontos de Melhora – particularidades dos quadros de hemorragia puerperal em uma maternidade particular de Belo Horizonte
Autores: Larissa Braga Costa; Luiza Storch Carvalho; Ana Laura Rocha Alves; Matheus Eduardo Soares Pinhati; Lais Loureiro Ticle; Bruna Pereira Vilaça; Tiago De Carvalho Garcia
2º Lugar – Desfechos materno-fetais da síndrome da encefalopatia posterior reversível na pré-eclâmpsia e eclâmpsia: revisão sistemática e metanálise
Autores: Raíssa Êmily Andrade Souza; Bárbara Isabela Barbosa Rodrigues; Rívia Mara Lamaita
3º Lugar – Sobrevida prolongada do segundo feto após cerclagem de resgate bem-sucedida em gestação gemelar
Autores: Juliana Augusta Dias; Ana Flavia Coelho Ribeiro; Ana Clara Mendes Ribeiro; Thaís Reis De Lima; Helisamara Mota Guedes; Pammela Vieira Freire;Túlio Pereira Alvarenga E Castro
Categoria: Ginecologia
1º Lugar – Adoção de embriões como alternativa viável e pouco explorada na reprodução assistida diante do risco genético de doenças ligadas ao x
Autores: Thamires Helena De Almeida; Camilla Mannarino Calil; Carolina Cantoni De Almeida Barros; Gabriela Boseja Condé Duarte; Larissa Milani Coutinho
2º Lugar – Estratégias terapêuticas no transtorno de excitação genital persistente: revisão sistemática
Autores: Maria Eduarda Moreira Guimarães Cavalcanti; Gabriel Rugai Cunha Lima; Fernando Zoboli Semabukuro; Fabiene Bernardes Castro Vale; Rogeria Andrade Werneck; Eduardo Siqueira Fernandes
3º Lugar – Siringofibroadenoma écrino associado a hidradenite supurativa vulvar: relato de caso
Autores: Denise Gasparetti Drumond; Homero Gonçalves Júnior; Luciano Fernandes Loures; Louise Gracielle De Melo E Costa; Annair Freitas Do Valle; Marcella Barroso Marques Martins; Júlia Silveira Rodrigues
Ação Inédita

Foto: Flávio Amaral (+Inovação/ Divulgação)
Outro destaque foi o curso voltado para secretárias de clínicas e consultórios médicos, que reuniu cerca de 50 participantes. A atividade foi aberta pela presidente da SOGIMIG (biênio 2023 – 2025), Inessa Beraldo. Ela explicou que o conteúdo foi estruturado a partir das próprias demandas das profissionais:
“Queríamos algo realmente prático, que ajudasse no atendimento diário. As secretárias são parte essencial da experiência do paciente e precisam estar preparadas para os desafios do consultório”.
A enfermeira Juliana Feitosa Dibai, especialista em gestão do alto custo e linhas de cuidado e diretora da empresa EJ – Apoio à Gestão em Saúde, apoiadora oficial do curso, destacou que os temas trabalhados no curso foram definidos a partir de necessidades reais dos consultórios médicos.
“A porta de entrada de todo consultório é o atendimento. Preparamos muito o técnico e, muitas vezes, esquecemos do operacional. Este curso corrige essa lacuna com foco na jornada do paciente”, complementa.
Vera Ferreira atua há 30 anos na área, participou do curso e ressaltou que, por meio de um conteúdo “pé no chão”, aplicável ao dia a dia, a iniciativa da SOGIMIG reforçou as práticas que já realiza e, também, foi uma oportunidade para conhecer novas ferramentas para levar ao trabalho e à vida pessoal: “Aprender é gratificante! O que mais me chamou a atenção foram as informações voltadas para se ter uma maior abertura para conversar com o médico e alinhar expectativas. Isso faz toda a diferença no consultório”.

Foto: Flávio Amaral (+Inovação/ Divulgação)
No painel Ginecologia de precisão – dados, genética e personalização no cuidado da mulher, ministrado por Cláudia Navarro Carvalho Duarte Lemos, abordou a aplicação da genética, biomarcadores e inteligência artificial na prática clínica. A especialista destacou que a integração de informações, desde histórico clínico até dispositivos vestíveis, permitindo diagnósticos mais precisos, estratificação de risco e terapias personalizadas:
“A medicina de precisão já é uma realidade na oncologia e na reprodução assistida, mas tende a se expandir para diversas áreas do cuidado da mulher, sempre com atenção às questões éticas e ao acesso equitativo”.

Foto: Flávio Amaral (+Inovação/ Divulgação)
O médico Eduardo Cordioli apresentou o impacto das femtechs, startups que utilizam tecnologia para resolver problemas específicos da saúde feminina. Ele explicou os “4 Ps” fundamentais para a criação de soluções digitais: propósito, processo, plataforma tecnológica e pessoas.
“Mais do que desenvolver aplicativos, é preciso resolver dores reais das pacientes, engajar equipes médicas e garantir ética e transparência no uso da tecnologia. Só assim a inteligência artificial poderá ampliar o acesso e reduzir desigualdades”.
No painel Corticoide antenatal – 50 anos salvando vidas: estamos usando bem?, Mário Dias Côrrea Júnior revisitou cinco décadas de evidências sobre o uso do corticoide antenatal na prevenção de complicações. Ele apresentou os avanços em diferentes faixas de idade gestacional e os debates mais recentes sobre doses de resgate e uso acima de 34 semanas.

Foto: Nathalie Guimarães (+Inovação/ Divulgação)
“Os benefícios entre 24 e 34 semanas são inquestionáveis. Já entre 34 e 37, a decisão deve ser individualizada, considerando os riscos de hipoglicemia neonatal e a realidade de cada serviço”.