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13 de setembro de 2025
CMGO 2025: Terceiro dia tem foco em soft skills, IA, segurança da paciente e atualização prática

Especialistas alertam que, além do conhecimento técnico, liderança, comunicação e trabalho em equipe salvam vidas.

No painel Soft Skills no Bloco Obstétrico: a tecnologia a tecnologia sozinha não basta, a médica e ex-presidente da SOGIMIG, Cláudia Laranjeira, provocou o público presente, afirmando que os algoritmos, monitores e protocolos são fundamentais, mas não substituem pessoas bem treinadas, capazes de comunicar, liderar e tomar decisões compartilhadas sob pressão. 

A palestrante mostrou evidências recentes de que falhas de comunicação, liderança pouco clara e ausência de consciência situacional estão por trás de parte relevante dos eventos adversos, e que habilidades não técnicas são mensuráveis e treináveis, especialmente por meio de simulação, observação estruturada e feedback qualificado.

“A IA já chegou ao bloco obstétrico e deve ser nossa aliada, não nossa muleta. Sem liderança, comunicação clara, trabalho em equipe, consciência situacional e gestão de tarefas, a tecnologia perde potência. Soft skills salvam vidas, e podemos (e devemos) ensiná-las, avaliá-las e praticá-las em cenários realistas”, afirmou Laranjeira.

A médica também destacou que as novas Diretrizes Curriculares Nacionais trazem referências explícitas a essas competências e defendeu treinos interprofissionais, liderança distribuída em situações críticas, ‘closed-loop communication’ e cultura de segurança: “O óbvio para um profissional não é necessariamente óbvio para o outro. Comando claro, repetição do comando e respeito às regras de comunicação evitam erros e melhoram desfechos”.

Foto: Flávio Amaral (+Inovação)/divulgação

Na conferência Condutas que marcaram gerações: o legado vivo da obstetrícia moderna, o médico Frederico Peret revisitou marcos que mudaram o desfecho de milhões de partos no mundo. Ele mostrou como a prática obstétrica evoluiu da experiência empírica para a medicina baseada em evidências.

Entre os pontos centrais, destacou:

  • Uterotônicos/ocitocina para prevenção e manejo da hemorragia pós-parto — da síntese que rendeu Prêmio Nobel ao uso padronizado que salvou incontáveis vidas;
  • AAS em baixa dose na prevenção da pré-eclâmpsia, a partir de modelos preditivos e ensaios robustos;
  • Sulfato de magnésio como padrão-ouro na prevenção e tratamento de eclampsia/pê-eclâmpsia grave;
  • Prevenção da transmissão vertical do HIV, com esquemas antirretrovirais que reduziram drasticamente a infecção em recém-nascidos;
  • Corticoterapia antenatal, que diminuiu síndrome do desconforto respiratório e mortalidade neonatal entre prematuros.

“Essas condutas não são apenas protocolos; são histórias de ciência aplicada que transformaram famílias”, disse Peret. “Da ocitocina ao sulfato de magnésio, do AAS aos antirretrovirais e aos corticoides, aprendemos que rigor científico, organização de serviços e olhar humano andam juntos. A tecnologia, inclusive a IA, amplia nossa visão, mas é a postura ética, a comunicação clara e a capacidade de aprender com as gerações que sustentam a segurança materna e neonatal.”

Foto: Flávio Amaral (+Inovação)/divulgação

Durante a conferência Testosterona sem controle: os perigos ocultos para a saúde da mulher, o médico Fernando Marcos dos Reis reforçou que, segundo consensos internacionais e nacionais, a única indicação com evidência para testosterona em mulheres é o manejo de desejo sexual hipoativo, em formulações transdérmicas e sempre associadas a estrogênio, após avaliação clínica criteriosa e por tempo limitado. “Não há base para prescrição ampla de testosterona para ‘energia’, ‘secura vaginal’, ganho de massa magra, menopausa fisiológica ou adolescência”, frisou.

Fernando Marcos alertou para a epidemia de uso recreativo/estético impulsionada por influenciadores e comércio clandestino. O resultado, segundo ele, é um problema de saúde pública: eventos cardiovasculares em jovens, hepatotoxicidade, lesão renal, virilização irreversível (engrossamento da voz, hirsutismo, acne), além de transtornos psíquicos (ansiedade, depressão, maior ideação e tentativa de suicídio). Ele citou estudos de ressonância magnética funcional mostrando que a testosterona pode desconectar o planejamento do circuito do medo, tornando a pessoa “mais ousada” e competitiva, um mecanismo que reforça o uso: “Quem se sente mais ‘poderosa’ tende a repetir o comportamento, apesar dos riscos.”

Por fim, o palestrante evocou prudência clínica e ética: “A moderação é um princípio médico. Testosterona não é atalho para bem-estar. Sem indicação clara, formulação validada e acompanhamento, o ‘benefício’ estético cede lugar a danos potencialmente graves. Informação, parcimônia e ciência devem guiar cada decisão.”

Foto: Flávio Amaral (+Inovação)/divulgação

Ao longo do dia, o curso de Patologia do Trato Genital Inferior (PTGI) com ênfase em Cirurgia de Alta Frequência (CAF) e conização atualizou ginecologistas para o novo cenário do rastreamento do câncer do colo do útero. Com a incorporação ampliada dos testes de HPV por biologia molecular (PCR), cresce a necessidade de colposcopia qualificada e indicação precisa de biópsia e tratamento excisional.

Segundo Eduardo Cândido, presidente eleito da SOGIMIG, “é uma capacitação para que o associado conduza, com segurança, as pacientes com rastreio alterado: do reconhecimento dos padrões colposcópicos à decisão entre seguimento, CAF ou conização, sempre alinhado às diretrizes atuais”.

 

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